Sobre a conveniência de incluirmos a prudência no nosso dia a dia

“A pessoa sensata examina com atenção cada passo que dá.” (Provérbios 14:15)
Estou escrevendo um pequeno opúsculo que terá como título “Folhas soltas – meditações de um avô aos seus netos”, que pretendo repassar aos meus netos tão logo eles possam ler e entender as mensagens. A primeira meditação aborda a prudência e começa com um conselho, parodiando o texto de Provérbios 2:1-2: “Jovem, se você receber as palavras do Senhor e os seus mandamentos você guardar dentro de si, mantendo atentos os seus ouvidos; se inclinar seu coração à prudência e clamar à sua inteligência e a essa prudência der tua voz, você saberá enfim o que significa conhecer, honrar e obedecer ao Senhor seu Deus”.

Hoje, senti no coração o desejo de dividir essa meditação com você, por entender que todo cristão deveria incluir a prudência no seu dia a dia; primeiro porque ela é uma atitude que agrada a Deus e, também, porque a Bíblia possui inúmeras passagens sobre homens prudentes que agradaram a Deus.

Um exemplo pode ser encontrado nas passagens que tratam de Davi, um rei, que apesar de pecador, apresentava várias qualidades, destacando-se entre elas a prudência.

Outro exemplo nos foi dado por Salomão, citado no livro de Reis, onde foi registrado que ele pediu a recebeu de Deus sabedoria e prudência, dons que lhe permitiram reinar com êxito sobre o povo de Deus.

Alguém já escreveu que a “prudência deve nos acompanhar sempre, seja ao falarmos, ao compartilharmos nossa fé com o próximo e nas nossas relações diárias, independentemente de nossos diálogos envolverem outros irmãos em cristo ou pessoas ainda não convertidas”.

Assim que comecei a escrever este texto, recordei-me de uma das muitas viagens que fiz até a cidade de Cuiabá, na década de 1970, por força do cargo de Delegado de Educação e Cultura, que exercia na cidade de Aquidauana.

A rodovia que liga Campo Grande àquela cidade havia sido inaugurada pelo Presidente Médici e a sinalização era “nova em folha”. Nessa estrada, muitas placas localizadas nos locais com lombadas muito pronunciadas, recomendavam aos motoristas: na dúvida, não ultrapasse.

Naquela viagem, recordo que em certo local, alguém colocara logo depois de uma dessas placas, uma outra, escrita rudimentarmente à mão, sobre uma tampa de um tambor, espetada precariamente no galho de um pequeno arbusto, onde se liam os prudentes dizeres: na dúvida, ou não, siga sempre com Deus!

A pequena placa resistiu por certo tempo. Deve ter sido derrubada pelo vento, mas, assim como eu, muitos motoristas a viram e, na solidão daquele trecho, que na época era pouco povoado e sem o tráfego intenso de hoje, devem ter meditado sobre aquelas palavras escritas por um prudente anônimo.

Certa vez, lendo um artigo sobre a prudência, fui alertado pelo autor, que muitas pessoas confundem a prudência com a simplicidade. Dizia ele que pessoas simples, em geral, “são pessoas ingênuas, desprovidas de maldades”, fato que já fora observado por Salomão, que registrou no livro de Provérbios que “o simples dá crédito a tudo, mas a pessoa prudente atenta para os passos” e que “a pessoa prudente ao ver o mal se esconde; mas os simples passam adiante e sofrem a pena”.

Ser prudente, portanto, não deve ser visto como um modismo ou uma novidade passageira. O apóstolo Paulo, inclusive advertiu os coríntios, dizendo-lhes que a ausência de prudência constitui uma grande ameaça para a conservação da nossa fé, já que os crentes imprudentes, assim como crianças podem ser enganados com certa facilmente, o mesmo ocorrendo quando se refere á estrutura espiritual.

Enfim, em questão de fé, não devemos ser como crianças, levados por ventos de doutrina, produzidos por falsos mestres, travestidos de pastores, que buscam apenas tosquiar as suas ovelhas em benefício próprio.

A esse respeito, alguém já escreveu que nós “devemos ser simples na malicia, mas muito prudentes quanto ao mal”.
Embora a simplicidade e a prudência sejam totalmente distintas, cabe ao crente concilia-las, conforme Jesus nos ensinou, ao dar a entender que a prudência é uma das virtudes que deve acompanhar a simplicidade, com a finalidade de prever eventuais perigos que, com certeza, o maligno tentará cercar o nosso dia a dia.

GC Russi

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