Sobre certo irmão – parte I

“Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças”. (Lucas l5:25).

A passagem acima integra uma das parábolas mais conhecidas da Bíblia. Provavelmente muito já se escreveu sobre ela, de maneira que é difícil buscar nesse texto alguma meditação que seja inédita. Em razão disso, procurarei aborda-la por um outro ângulo, destacando os erros de certo irmão que se julgava absolutamente certo. Vamos falar sobre o irmão do filho pródigo, aquele que permaneceu junto do pai enquanto o outro saiu pelo mundo.

Em algum momento de sua vida é muito provável que você se sentiu cheio de razão e tenha dito com convicção: “é assim, eu garanto, eu estou certo!”.

Às vezes temos certeza absoluta do que estamos dizendo, e, passado algum tempo, descobrimos que estávamos redondamente errados em nosso ponto de vista.

A passagem acima integra a história de um homem que passou por essa experiência. Ele se achava completamente cheio de razão, porém não estava. Justamente no que ele se sentia tão seguro, ele estava enganado.

Jesus, provavelmente, contou dessa parábola com a intenção de que alguma das pessoas que o ouviam se identificasse com esse homem, tão certo aos seus próprios olhos, porém absolutamente errado aos olhos do pai celestial.

Neste pequeno artigo abordaremos o seu primeiro erro, que consistiu em fazer uma avaliação errada do seu irmão, ao se dirigir ao pai dizendo: “mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas no novilho gordo para ele”.

Repare que ele nem mais considerava o seu irmão como tal, ao dizer: “esse teu filho”.

Ele não conseguia ver o fim doloroso da experiência pela qual o irmão passara. Seu irmão saíra de casa, abandonara a família, mas agora, arrependido, estava de volta e buscava a reconciliação. Entretanto, o irmão insiste considera-lo um perdido, um rebelde, alguém sem conserto, um ingrato que não merece perdão, diferentemente do pai que diz: “meu filho, ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado”.

Dessa última frase tira-se uma grande lição para os nossos dias: Deus, que é o nosso pai, é pleno de misericórdia!

Alguém pode até ter errado com Deus; pode ter feito um grande mal, mas quando Deus resolve perdoar, abraçar e receber de volta aquele que pecou e se arrependeu, quem somos nós para fechar o nosso coração àquela pessoa?

Pode ocorrer de alguém ficar chateado com Deus como ficou o filho mais velho com seu pai?

Entretanto, quantas vezes já ouvimos esse comentário: “Ah! Essa não! Deus perdoou fulano” ou “Deus está abençoando fulano; logo ele que me fez isso ou aquilo e agora terei que aturá-lo aqui na igreja”.

Esse comportamento indica o grave erro de não se aprender a distinguir um pecador perdido de um pecador remido. Jesus deixou bem claro que nós, filhos de Deus, devemos perdoar como pai perdoa.

Caso exista alguma pessoa a quem você tem fechado o coração e negado perdão, medite sobre o assunto, pode ser que esteja incorrendo no mesmo erro do filho mais velho.

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Por G.C. Russi

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