Sobre certo irmão – parte II

“Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava concilia-lo”. (Lucas l5:28).

No texto anterior, destacamos um erro de certo irmão, que se julgava absolutamente certo.

Neste pequeno artigo abordaremos outro erro. O jovem, além de ter feito uma avaliação errada do seu irmão, agora também se volta contra o próprio genitor, dizendo: “olha, todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci as tuas ordens, mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com meus amigos”.

Repare esse novo erro; agora, sem razão, murmurava contra o seu pai, reclamando ser alvo de um tratamento desigual. Sentia-se injustiçado.

O caminho da murmuração é perigoso. No Velho Testamento encontramos passagens em que os judeus murmuraram contra Deus no deserto, duvidando se Ele estaria mesmo presente conforme Moisés dizia, e se Ele cumpriria de fato as suas promessas. O preço dessa insensatez é conhecido.

Através dessa parábola Jesus nos alerta para o fato de corremos riscos quando murmuramos contra Deus.

Observe que no verso 31 desse capítulo, o pai mostra a verdade para o jovem: “meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu”, isto é, o pai já repartira os bens e uma parte já pertencia ao filho que ficou junto dele, de maneira que não precisava pedir um cabrito, bastava lançar mão dele e comê-lo com os amigos, quando bem entendesse, ao invés de murmurar dizendo que o pai não era justo ou que o estava tratando de forma desigual.

Deus não faz acepção de pessoas, todos são igualmente amados, todos são igualmente queridos.

O verso 29 registra mais um erro: “há tantos anos te sirvo, sem transgredir uma ordem tua”. Ele se julgava perfeito, um homem sem erros, esquecendo-se que esse falso senso de justiça é terrivelmente danoso para qualquer pessoa. Ele dispensou a humildade e a soberba o atingiu. Ela, a soberba, é um caminho certo para o desastre.

Observe que os grandes homens de Deus foram pessoas humildes. Todos eles, passando por Moisés, Gideão, Jeremias e Pedro, entre outros, foram abençoados e serviram ao Senhor com poder porque, antes de tudo, foram pessoas humildes que sabiam reconhecer suas limitações diante de Deus.

O filho mais velho esqueceu-se que Deus resiste ao soberbo, enquanto concede graça ao humilde.

Pode ser que um dia, acreditando que tudo estava perfeito em sua vida, você acabe por descobrir que ainda há algo que precisa ser mudado; talvez esteja com dificuldade para perdoar alguém, ou sua comunhão com algum irmão foi rompida.

Talvez as vicissitudes da vida o levem a duvidar da fidelidade de Deus, e acabe por ser ingrato para com Ele, achando que o Senhor tem sido injusto com você.

Caso isso venha a ocorrer, lembre-se dessa parábola e não permita que soberba ou orgulho permeiem o seu coração. Jamais se esqueça que os méritos da sua salvação não procedem de suas atitudes, mas do sangue de Jesus, que foi derramado na cruz.

G.C. Russi

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