Sobre Fidelidade – Parte II

Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão. (Deuteronômio 28:16).

Na primeira parte deste estudo dissemos que a fidelidade pode ser comparada a uma via de mão dupla, isto é, ela envolve dois sentidos de movimentação, com regras iguais para ambos os lados. Naquela parte abordamos a fidelidade de Deus ao homem.

Vimos o que significa fidelidade e que ela uma das características de Deus.

Por outro lado, Deus também espera que os seus filhos expressem fidelidade em relação a Ele, daí eu ter dito no começo que a fidelidade é uma via de mão dupla.

Dividimos o estudo em duas partes porque entendemos que uma coisa é aceitar a fide­lidade de Deus como verdade divina, e outra coisa, muito diferente, é agirmos com base nisso.

Dito isto, nos deteremos agora na outra via da estrada: Nossa Fidelidade a Deus.

Deus nos tem dado grandíssi­mas e preciosas promessas, mas nós contamos realmente com o seu cumprimento por Deus? Esperamos de fato que Ele vai fazer por nós tudo que disse que fará? Descansamos com implícita se­gurança nestas palavras? Aguardamos com segurança e paciência?

Há ocasiões na vida em que não é fácil, nem mes­mo para os cristãos, crer que Deus é fiel. Nossa fé às vezes é provada dolorosamente. Nossos olhos ficam toldados pelas lágrimas, e não conseguimos mais encontrar o rumo dos baluartes do Seu amor.

Os nossos ouvidos se distraem com os ruídos do mundo, arruina­dos pelos sussurros de Satanás e não conseguimos mais ouvir a doce entonação da voz mansa e delicada do Senhor.

So­nhos alimentados foram frustrados, amigos em quem confiávamos falharam conosco. Um falso irmão ou irmã em Cristo nos traiu. Vacilamos.

Procuramos ser fiéis a Deus, e agora uma tenebrosa nu­vem o esconde de nós? Quantas vezes, eu e você achamos difícil harmonizar uma sombria dificuldade, enquanto aguardamos uma providência divina firmados nas pro­messas da Sua graça? Temos coragem de andar em trevas, se não tivermos luz nenhuma, confiando apenas no nome do Senhor Jesus, e firmados apenas em Deus?

Há um versículo na Sagrada Escritura, que nos ensina que o justo vive pela fé. A palavra fé na Bíblia é também traduzida como “fidelidade” a Deus. É a atitude daquele que crê e que obedece ao Senhor. Neste sentido Paulo fala aos romanos daobediência da fé (Romanos 1:5).

Assim sendo, a fé é um ato de adesão a Deus; isto é, submissão que implica obediência à Sua santa e perfeita vontade.

Entretanto, a fraqueza da nossa natureza humana impede muitas vezes que a nossa fé seja coerente; quer dizer, às vezes os nossos atos não estão conforme às exigências da fé.

Portanto, não basta crer, é preciso obedecer e cumprir.

Vejamos dois exemplos:

Depois que o povo hebreu recebeu a Lei de Deus por meio de Moisés, exclamou dizendo que tudo do que Deus falou, nós o faremos e obedeceremos (Êxodo 24:7).

Esta era a vontade do povo. No entanto, sabemos que este mesmo povo prevaricou tantas vezes prestando culto aos deuses dos pagãos.

Depois que Josué, no limiar da morte, conclamou o povo, a ser fiel a Deus, e só a Ele prestar culto na Terra que Deus lhe dava, o povo respondeu garantindo que serviriam  e obedeceriam a Deus (Josué 24:24). Mas sabemos que logo após atravessar o rio Jordão, e tomar posse da Terra tão esperada, o mesmo povo não demorou a render-se aos encantos dos deuses dos cananeus.

Isto mostra que não é fácil, também para nós, viver a fidelidade a Deus, pois também hoje os deuses falsos nos atraem, e querem ocupar o nosso coração.

Para seguir nessa via, portanto, há que se considerar a obediência. A obediência sempre foi e sempre será a prova e a garantia da nossa fidelidade a Deus. Foi por ela que Jesus salvou a humanidade, porque fez exatamente o que o primeiro Adão recusara fazer.

Na obediência radical a Deus o Cristo desatou o nó da desobediência de Adão e nos reconciliou com o Pai. Se a obediência é tão necessária para com os homens, quanto mais para com Deus.

A outra característica da fidelidade a Deus é o firme propósito de servir-lhe sempre, com perseverança e reta intenção, mesmo nos momentos mais difíceis. Ser fiel a Deus é ser obediente às suas leis, à sua vontade, e servir-lhe com toda a alma. Portanto, amar a Deus, mais do que um “sentimento”, é uma “decisão”:  Guardar os seus mandamentos e cumprir a sua vontade, o objetivo de nossas vidas.

Jesus foi bem enfático ao dizer em Mateus 7:21,  que amar a Deus, portanto, é viver os seus ensinamentos. Isso implica em perseverança e paciência.

A fidelidade está muito ligada à perseverança e à paciência.

Agostinho disse: Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância. A constância de ânimo, com paz e tranqüilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente. Jamais de esqueça disto: Para que haja serviço a Deus, perseverante e alegre,

Para que possamos amar e cumprir os seus mandamentos, é preciso uma vida de piedade, contribuição, apoio financeiro em favor da obra, vigilância e oração. Sem isso, a alma esfria. Quando a alma esfria, os demônios se aproximam dela, tendo por objetivo vencê-la pela tentação.

É muito provável que quando Cristo voltar, não sejamos julgados pela nossa capacidade intelectual, e nem pela grandeza das nossas obras. Seremos julgados pela nossa fidelidade, pela pureza do nosso amor a Deus e pela perseverança nesta vivência de contínua santificação.

Concluindo, deixo uma frase dita por Jesus, quando garantiu que diante de todas as adversidades que virão, quem perseverar até o fim será salvo (Mateus 24:13).

Louvado seja o nome do Senhor por toda a eternidade.
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Por G.C. Russi

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