É natal: o rei nasceu numa estrebaria

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Mistério divino: o criador do universo, aquele que do nada tudo criou, que chamou à existência as coisas que não existiam, que lançou os fundamentos da terra e espalhou as estrelas no firmamento, fez-se carne e habitou entre nós.

Sublime mistério: o transcendente tornou-se imanente, o infinito entrou no finito, o eterno entrou no tempo, aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo tornou-se um bebê e foi enfaixado em panos. Inescrutável mistério: o Rei dos reis, soberano Senhor dos céus e da terra, diante de quem todo joelho se dobra, nasceu não num palácio, mas numa estrebaria, não num berço de ouro, mas num berço de palha.

Que implicações têm a manjedoura? Jesus não nasceu numa estrebaria apenas porque as estalagens de Belém estavam cheias. O improviso jamais pegou Deus de surpresa. O acaso para ele não existe. A estrebaria não foi um acidente, mas um apontamento divino. Não foi apenas a indiferença e a insensibilidade dos belemitas que empurraram José e Maria para um estábulo, mas foi a mão da providência, a vontade soberana do Eterno que os guiou à manjedoura. E por quê? Porque Jesus, o Cordeiro de Deus, deveria identificar-se com o homem em seu nascimento e em sua morte. Se nascesse num palácio identificar-se-ia com os nobres, mas nascendo numa manjedoura identifica-se com todos os homens.

Ele é Deus, mas desce da altura de Deus não para a altura do homem, mas para a baixeza deste. Ele não veio para identificar-se com os nobres num palácio, mas com os pobres numa estrebaria. Na verdade, ele veio para identificarse com todos os homens, porque se num palácio só alguns entram, numa estrebaria todos podem entrar.

Diante do trono de Deus, não há espaço para o homem se exaltar. Todos estão no mesmo nível da estrebaria. Para alcançar o homem caído Cristo desceu. Desceu da glória para a terra, da divindade para a nossa humanidade. E não só para a nossa humanidade, mas para a nossa humildade. De Senhor se fez servo. Sendo rico se fez pobre. Sendo Deus eterno, se fez homem. Sendo santo se fez pecado. Sendo bendito se fez maldição.

Como disse o apóstolo Paulo: “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8). A manjedoura é muito mais do que uma simples peça do presépio. Ela é um símbolo; mais do que um mero símbolo, é uma eloqüente mensagem de Deus aos homens. Ela é um golpe mortal na soberba humana.

Ela fala que o Senhor soberano do universo, renunciou as glórias indescritíveis da Glória, para descer até nós, nascer num berço de palha, crescer numa carpintaria, morrer numa rude cruz para resgatarnos dos nossos pecados. A manjedoura fala-nos do abnegado amor de Deus, que nos amou de tal maneira que nos deu tudo, nos deu seu próprio Filho para morrer a nossa morte, para que pudéssemos viver a sua vida.

Natal, portanto, é muito mais do que festa gastronômica, muito mais do que confraternização familiar, muito mais do que troca de presentes. Natal é a festa da salvação, é a soberana Graça de Deus estendida aos pecadores, é o céu descendo à terra, para revelar-nos o coração amoroso de Deus, disposto a perdoar pecadores tão necessitados como você e eu.

Rev. Hernandes Dias Lopes.
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