Um nó de amor

Uma pesquisa realizada pelo professor Mário José Filho, do Departamento de Serviço Social da UNESP, campus de Franca, demonstrou que a competitividade profissional, aliada à economia de consumo, está abalando as relações familiares e contribuindo para que os pais releguem à escola a tarefa de educar os filhos. Isso compromete a transmissão às crianças e aos jovens de valores como solidariedade, respeito ao próximo, fidelidade e senso de justiça.

A falta de tempo por vários motivos lícitos, verdadeiros e necessários às vezes, nos leva a uma posição de impasse: o que fazer? “Em uma reunião de pais, numa escola da periferia, a diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos; pedia-lhes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível. Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e entender as crianças.

Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana, porque, quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo e, quando voltava, já era muito tarde, e o garoto não mais estava acordado. Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir, indo beijá-lo todas as noites quando chegava a casa.

E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles. A diretora emocionou-se com aquela singela história e ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da sua turma”.

A Bíblia nos diz que nossos filhos são herança do Senhor (Salmo 127), e isso nos leva a uma tomada de posição, decisão, responsabilidade frente ao desafio, pois significa que não nos pertencem, não são nossos e sim do Senhor e Deus nos coloca estas heranças tão preciosas nas mãos com finalidades específicas. Uma história comum como a do pai que dava o nó no lençol, nos exemplifica o que poderíamos chamar de sensibilidade às necessidades; tanto na educação como na manutenção da vida de nossos filhos, não podemos esquecer-nos de nos lembrar como nossos filhos precisam saber que os amamos.

Precisamos achar um tempinho para o nó do amor, pois agindo assim, obedecemos a Palavra de Deus que é hábil para nos mostrar que se faz necessário investir o melhor de nós em nossos filhos, Deus não aceitará nada menos do que o melhor de nós. “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4).

Embora nosso tempo possa ser disputado, diminuído em função de tantas obrigações, podemos com pequenos gestos marcar a vida de nossos filhos. “o valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis” (Fernando Pessoa), não serão os presentes, festas ou grandes eventos que marcarão a vida de nossos filhos e sim a demonstração de interesse e amor que se expressam às vezes com um nó de amor.

Rev. Janderson Silva

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