Igreja e Política

Particularmente estou desapontado com o presidente Bolsonaro e sei que não somente eu, mas boa parte do povo evangélico brasileiro. Os cristãos que tem recebido apoio efetivo são os “grandes”, os notáveis e de renome, aqueles que conseguem audiência com os ministros e primeira dama. Nós, os meros mortais, os “pequenos” ainda não recebemos a atenção que gostaríamos.

Escrevi recentemente um artigo que fala sobre esta relação estreita que deveria existir entre a política e a igreja e compartilho com você a partir do próximo parágrafo.

O bispo sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz, disse certa vez que “não há nada mais político do que afirmar que a fé nada tem que ver com a política”. Tentar separar fé e política é a mesma coisa que tentar dissociar o espírito do corpo. A Igreja de Cristo está inserida na sociedade e as questões políticas são intrínsecas ao homem e ao meio em que atua como ser social.

A política está naquilo que vivemos, projetamos para nosso futuro e de nossos filhos, desenvolvemos para a comunidade cristã e na execução de atividades missionárias. Se politicamente uma nação, por meio de seus líderes, age com lisura e equidade, a justiça se faz e Deus ama a Justiça.

De outro lado, se a injustiça permeia a sociedade, o povo sofre suas consequências diretamente, em especial aqueles que mais necessitam do amparo estatal para suas necessidades mais básicas como alimentação, saúde e moradia. Deus se compadece dos pobres e espera que os cristãos sejam agentes ativos em sua comunidade buscando o bem-estar de todos.

Não há como negar que muitas questões políticas têm forte ligação com a religião e com a fé. São inúmeros os relatos bíblicos de cristãos envolvidos politicamente.

A própria vida de Cristo sofreu implicações políticas diretas: Herodes temia perder o trono e, por isso, ordenou a matança de crianças, levando à fuga da família de Jesus (Mt 2:13-18); a prisão e condenação à crucificação também têm seus aspectos políticos relacionados à crescente popularidade do filho de Deus (Lc 23:1-43). E, ainda, antes e depois de Cristo são vários os personagens cristãos envolvidos com questões políticas, como José (Gn 41: 37-57), a monarquia de Israel, chegando a Daniel e seus amigos (Dn 1:3), a prisão de Paulo e Silas (At 16:16-24).

Tais episódios mostram claramente que consagrados servos de Deus tiveram, na política, um canal de bênçãos para a população em geral. E assim deve ser a conduta dos cristãos contemporâneos.

Em 1980, foi realizada na Inglaterra a Consulta Internacional Sobre Estilo de Vida Simples pelo Movimento Lausanne e, um dos tópicos do compromisso evangélico firmado defende que “a igreja, juntamente com o resto da sociedade, está inevitavelmente envolvida na política, que é ‘a arte de viver em comunidade’.

Os servos de Cristo precisam expressar o senhorio dele em seus compromissos políticos, econômicos e sociais, e em seu amor por seu próximo, participando do processo político” (Viva a Simplicidade – Série Lausane, vl. 5 p. 35). O objetivo deste estudo é mostrar a necessidade de um envolvimento maior dos cristãos, visando cumprir o projeto definido por João Calvino, a saber: “A função da política é fazer com que as leis dos homens se aproximem da lei de Deus”.

O cristão, em sua participação política, deve procurar proteger e defender os indefesos, pensando nos pobres e fracos, que constituem a maioria do povo. Existem aqueles que pervertem a função política, usando o poder para legitimar e promover a injustiça.

No dizer do cantor João Alexandre, é “gente com tanto poder e nenhum coração; gente que compra e que vende a moral da nação”. Em meio ao caos da política, Deus quer agir e a ação divina acontecerá por meio de comprometimento de servos consagrados (a exemplo de José, Daniel e outros) e seu envolvimento real e em prol da Justiça.

Segue abaixo minha agenda de maio e junho/19.

Com fé e esperança,

Rev. Wildo dos Anjos
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