Medo de que os filhos não conheçam o Senhor

Mônica foi uma mulher que temia pela alma do seu filho. Ela tinha um bom motivo: Agostinho via a fé de Mônica como tola e fraca. Ele rejeitou o cristianismo dela e voltou-se para a filosofia pagã, entretenimento violento e indulgência sexual. No entanto, essa mãe da igreja primitiva seguiu seu filho pelo Império Romano, esperando que pudesse influenciá-lo e, de alguma forma, conduzi-lo a Cristo.

Mônica não está sozinha. Temer por nossos filhos é tão antigo quanto Adão e Eva. Parece acompanhar a maternidade assim como bolhas nos pés são garantidas em uma maratona. Preocupamo-nos com o bem-estar físico, mental e emocional dos nossos filhos. E os medos tendem a crescer junto com a criança: tememos que aprendam a andar e que acabem com um galo na testa; tememos que aprendam a dirigir e acabem no pronto-socorro de um hospital.

Mas o medo de que uma criança não seja salva é o nosso temor mais sombrio. O comportamento dos nossos filhos pode confirmar e alimentar esses medos, fazendo com que cresçam com o tempo e com pecados dos quais não se arrependeram. E esse medo é complicado. Tememos não apenas pela alma dos nossos filhos, embora essa seja a principal razão. Também tememos o dano que eles farão a si próprios e aos outros, que desonrarão o nome de Cristo e da igreja, que ninguém compreenderá nossa dor, que estejamos falhando na criação das crianças enquanto procuram escapar de nossa influência. Tememos que esta provação seja por toda vida. Até mesmo a tristeza, o medo ou a forma como outras pessoas nos julgam como pais, ou família, pode nublar nossas mentes e corações.

Mônica chorava de preocupação por causa de Agostinho enquanto ia de um lugar a outro. Orações e lágrimas devem estar juntas, fluindo do amor por nossos filhos e da tristeza por sua culpa acumulada diante de Deus. Mas nossas lágrimas não podem confortar, nos dar confiança ou remover a culpa dos nossos filhos. E se não estivermos chorando o suficiente ou chorando pelos motivos errados? E se estivermos orando pelo motivo errado? Nossas atitudes como pais e mães não merecem recompensa. Como diria o grande compositor de hinos Horatius Bonar, todas as nossas orações, suspiros e lágrimas não podem suportar essa terrível carga.

Um amor maior do que o nosso por nossos filhos deve intervir. Deus não prometeu salvar todos os filhos da aliança (Mateus 10.34-36), mas ele continua sendo o Deus fiel e de aliança que ele declarou ser para Abrão (Gênesis 17). Nossa experiência não muda o caráter de Deus. O fracasso dos nossos filhos em cumprir as promessas da aliança é deles, e não de Deus. Deus não muda e continua sendo o mesmo Pai celestial que salva todos os que vêm a ele. Ele ouve nossas orações, respondendo-as em sua própria sabedoria oculta.

Mas ele faz mais do que isso. Deus entende o que é ter um filho perdido. Em Oséias, o Senhor fala: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho. Quanto mais eu os chamava, mais se iam da minha presença” (11.1-2). Deus sabe o que é ser rejeitado por um povo a quem ele cuidou e amou.

A fim de salvar seu povo que estava perdido, o Pai enviou seu Filho unigênito — aquele que foi obediente até a morte e morte na cruz. Você e eu nunca sacrificaríamos uma criança fiel e amorosa no lugar de pessoas que nos odeiam. Isso está fora do alcance do amor humano. Mas, se estamos em Cristo, essa é a nossa experiência: éramos outrora “estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas” (Colossenses 1.21), agora estamos reconciliados com o Pai por meio da expiação do Filho. O Deus que nos alcançou não mudou apesar das nossas circunstâncias.

Uma criança perdida é um grande teste de fé, em parte porque a situação mostra realmente se caminhamos pela fé ou por vista. O medo é uma resposta natural quando vemos que nossos filhos perdidos no mundo, sua carnalidade e o diabo trabalhando com sucesso sobre eles. Viver pela fé é enxergar essa realidade, o perigo espiritual, mas se concentrar em quem é Deus. É olhar para Cristo, que diz ao Pai: “Não perdi nenhum dos que me deste” (João 18.9). Pela graça, Deus faz com que muitos filhos pródigos voltem para casa. Os pais cristãos devem chegar a um estágio em sua fé onde, humildemente e de todo o coração, afirmem estas palavras difíceis de nosso Senhor:

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.” (Mateus 10.37-38)

Fonte: Voltemos ao Evangelho

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